Monday, April 20, 2009

VALLEJO



Heces

César Vallejo

Esta tarde llueve, como nunca; y no
tengo ganas de vivir, corazón.

Esta tarde es dulce. Por qué no ha de ser?
Viste gracia y pena; viste de mujer.

Esta tarde en Lima llueve. Y yo recuerdo
las cavernas crueles de mi ingratitud;
mi bloque de hielo sobre su amapola,
más fuerte que su "No seas así!"

Mis violentas flores negras; y la bárbara
y enorme pedrada; y el trecho glacial.
Y pondrá el silencio de su dignidad
con óleos quemantes el punto final.

Por eso esta tarde, como nunca, voy
con este búho, con este corazón.

Y otras pasan; y viéndome tan triste,
toman un poquito de ti
en la abrupta arruga de mi hondo dolor.

Esta tarde llueve, llueve mucho. ¡Y no
tengo ganas de vivir, corazón!


Resquícios

Esta tarde chove como nunca, e não
tenho desejo de viver, coração.

Esta tarde é doce. Por que não o seria?
Visão de graça e pena, visão de mulher.

Esta tarde, em Lima, chove. E eu me lembro
das cavernas cruéis da minha ingratidão;
o meu bloqueio de gelo sobre a papoula,
mais forte do que o seu "Não é assim!"

Minhas violentas flores negras; e a bárbara
e enorme pedra, e a maneira glacial.
Posto o silêncio de sua dignidade
com os óleos queimantes o ponto final.

Por isto, esta tarde, como nunca, vou
com este ônibus, com este coração.

E outros passam, e vendo-me tão triste,
tomam um pouquinho de ti
na súbita ruga das profundezas da minha dor.

Esta tarde chove, chove muito. E não
desejo viver, coração!


Ilustrtação: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjdD2mLYfZEKNNmBWiTevSnr0f3x66p4vPF2Drdcct3-LbtlImJGcIrMxubxumFMyAJV2b1y5FV07nA5k1OcR3tf_pgJlJJXWIRPtYMJwBxq7Rky7UHJxmqUepmCPl34emANqTTIg/s400/momentos.bmp

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