Monday, August 21, 2017

MAIS UMA POESIA DE ELVIO ROMERO



PARADA                                                  

Elvio Romero

Acaso reste sólo
una sombra donde dormir.

Y todo por un sorbo
de cántaro que no fue, que pudo ser
agua sin vicisitud, de manantial, o bien
lluvia de aplacar la sed, pregusto
de amparo en el sinsabor, acaso
una piedra donde caer,
un tronco donde descansar.

O una sombra donde dormir.

Acaso nos quede ya
por todo abrigo lo que va

un camino de fatigar, de nube oscura o sal
de arenisca, cosas pobres para vivir
o tal vez -cosas pobres de la heredad-
un desgastado atardecer,
un cántaro donde llorar.

Acaso reste sólo
un cántaro donde llorar.


PARADA

Talvez reste só
uma sombra onde dormir.

E tudo por um sorvo
de um jarro que não foi, o que poderia ser
água sem vicissitudes, da manancial, ou vem
chuva de aplacar a sede, pregosto
de amparo no sem sabor, talvez
uma pedra onde cair,
um tronco onde descansar.

Ou uma sombra onde dormir.

Um caminho de fadiga, de nuvem escura ou sal
de arenito, coisas pobres para viver
ou talvez - coisas pobres da herança -
um desgastado entardecer,
um jarro onde chorar.

Talvez reste só
um jarro para chorar.

Ilustração: Pinterest. 


OUTRA POESIA DE HUGO GOLA



Hugo Gola

Ahora que cielo y tierra y viento callan
dice Petrarca
ahora que sólo
queda el
interno rumor
que te desvela
y que revives apenas
tu cielo
tu aire
tu tierra desolada
ya no puedes restaurar
la briosa vibración
los ecos ligerísimos


habla el silencio
el resto calla
el rasguño distante
hirió la piel
se desvanece el soplo
permanece sólo lo olvidado


Agora que o céu, a terra e o vento calaram
disse Petrarca
agora que só
ficou
o interno rumor
que te desvela
e que revives apenas
teu céu
teu ar
tua terra desolada
já não podes restaurar
a vibração animada
os ecos ligeiríssimos


Fala o silêncio
o resto cala
o arranhão distante
feriu a pele
se desvanece ao sopro
resta apenas o esquecido

Ilustração: Instituto Paulista de Déficit de Atenção. 

Friday, August 18, 2017

E Silvia Guerra mais uma vez


Atropo

Silvia Guerra

Ni mía.
Ni de nadie. Nada.
Yescas, hojillas. Viento de hoja seca.
En la mañana azul, la blanca brisa y el perverso anhelo
El ir queriendo, la cabeza la cara con eczemas, al viento.
Baja por esa soleada correntada nítida y precisa
en el perfil, en el medio atroz de la figura.
El agua en la mirada que se enfrenta y es un rostro sin
alma
que se escapa para llenar ese otro rostro de silencio
para llenarlo con el hilo libado de los sueños, en la
niebla.
La sombra sin atrás, sin cuerpo que refleje, la pura
sombra.
La sombra pura que maltrecha de sí logra extenderse, asirse
sobre un suelo, cubrir la heroica superficie agreste
eber hacia el desierto como un canto como un sonido
/largo,
una oquedad nimbándose desde el cobre central,
/dulcísimo
metal, que envuelva.
Y afuera entre las casas, dispersamente lejos
conjunto de hábitos, manteles, pequeños telares
enardecidos
de gardenias. Y afuera lejos, la tarde que se curva
las primeras estrellas. ¿Para siempre?


ATROPO

Nem minha.
Nem de ninguém. Nada.
Estopas, folhinhas. Vento de folha seca.
Na manhã azul, a branca brisa e o perverso desejo.
O ir querendo, a cabeça com o rosto de eczemas, ao vento.
Baixa por esta ensolarada corrente nítida e precisa
no perfil, e em meio à atroz figura.
A água no olhar que se enfrenta é um rosto sem
alma
que se escapa para preencher esse outro rosto de silêncio
para preencher com sonhos os fios bebidos na
névoa.
Sem sombra atrás, sem corpo que reflita a pura
sombra.
A sombra pura que agredida por si logra estender-se, apossando-se
do solo, cobrindo a heroica superfície agreste
do outro lado para o deserto como um canto como um som
/ largo,
uma cavidade aureolando-se do cobre central,
/ dulcíssimo
metal, que envolve.
E lá fora entre as casas, dispersamente longe
conjunto de hábitos, toalhas de mesa, pequenos teares
enfeitados
de gardênias. E lá fora longe, a tarde que se curva
às primeiras estrelas. Para sempre?


Ilustração: Volte Cupole Soffitti. 

POEMAS MAL COMPORTADOS


SUCESSO                                                                          

Para João Vitor Ribeiro

Ah! Que alegria!
Fiz a minha bichectomia
e deu tão certo
que meu rosto adquiriu um ar juvenil.
De tão feliz
mandei meu bofe lamber ponta de fuzil!

Ilustração: Dr. Gustavo Alvarez. 


Outra poesia de Ricardo Miguel Costa

CONCERT                                                                              
Ricardo Miguel Costa

Aseguran que al hombre
se lo conoce por su silencio.

Pero jamás mujer alguna
tocó mayor música
que su cuerpo desnudo.

Él la escucha con pasión
y la recibe plenamente,
a voluntad.
Es más, la aplaude de pie
pero se reserva secretamente
la fiebre del sonido.

Moraleja: el hombre es un sordo
abandono de sí mismo.

(apenas una campana golpeando
bajo el agua)

                                 
CONCERTO

Asseguram que ao homem
o conhecem pelo seu silêncio.

Porém, jamais mulher alguma
tocou maior música
que seu corpo nu.

Ele a escuta com paixão
e a recebe plenamente,
à vontade.
Além disto, a aplaude de pé,
porém, se reserva secretamente
à febre do som.

Moral da história: o homem é um surdo
abandono de si mesmo.

(Apenas um sino tocando
debaixo d'água)


Wednesday, August 16, 2017

Outra poesia de Silvia Guerra


Láquesis

Silvia Guerra

Es un prisma. Es un prisma que gira.
Es un prisma que fragmenta la luz, la descompone.
Es un sueño la luz.
Es un sueño la luz que se repite.
Es un espacio verde, que se hiciera
Hay dos amordazados en la luz
en el preciso verde.
Gira una vez el prisma y se hizo tarde.
Gira una vez la luz y hay un zapato suspendido en la
esquina un montón de arañitas verdes, casi transparentes
que caminan incendiándose el lomo
sobre una tela casi transparente
que no deja respirar a los que de una manera
casi transparente
empiezan a quemarse.
Afuera, alguien salta tratando de mirar por la ventana
un golpe apenas en el vidrio, una marca de sangre.
Y es la luz, los irisados tonos de la angustia.
Crujiendo, desde la lluvia verde
Casi transparente.

LAQUESIS

É um prisma. É um prisma que gira.
É um prisma que fragmenta a luz, a decompõe.
A luz é um sonho.
É um sonho a luz que se repete.
É um espaço verde que se fez
Há dois amordaçado na luz
no preciso verde.
Gira uma vez o prisma e se faz tarde.
Gira uma vez a luz e há um sapato suspenso na
esquina um monte de vasinhos verdes, quase transparentes
que caminham incendiando-se o lombo
sobre uma tela quase transparente
que não deixa respirar aos que de uma maneira
quase transparente
começam a queimar-se.
Lá fora, alguém salta tentando olhar pela janela
um golpe apenas no vidro, uma marca de sangue.
E  é a luz de leves tons iridescentes de angústia.
Rugindo, desd’a chuva verde
Quase transparente.

Tuesday, August 15, 2017

Outra poesia de Liliana Ponce


4                                                                        

Liliana Ponce

La distancia se moldea con los objetos,
retrocede y avanza-
fuego fatuo de la Reina de senos desnudos,
en mi mano deja ahora un cristal
tallado cuidadosamente a la hora sexta,
mientras el viento recorre curvas irreales.
-Sin sol no podré despertar,
sin sol, Reina, no podré besarte.


4

A distância se molda com os objetos,
retrocede e avança-
fogo fátuo da Rainha de seios desnudos,
na minha mão deixa agora um cristal
cuidadosamente esculpido na sexta hora,
enquanto o vento recorre às curvas irreais.
-Sem o sol não poderei despertar,
sem sol, Rainha, eu não posso te beijar.


Ilustração: Somos o espírito em corpo humano – Sapo. 

POEMAS MAL COMPORTADOS

DESABAFO                                                                                                                        

Eu gritei: -Traidora!Traidora!
O coração doendo,
o sentimento de que te perdendo
via o meu mundo desabar.
-Traidora! Traidora!
Me danei a gritar
para ver se fechava a ferida
que não parava de sangrar.
Mas, te xingar, te exorcizar,
te atormentar
não resolveu nada.
Tua traição foi a pancada
que destroçou meu coração.
E, agora, sigo vivendo
esta vida sem razão,
sem ilusão.
Ah! Traidora!
Adoraria não saber de tua traição.

Ilustração: Subvertidas-blogger. 

Monday, August 14, 2017

POEMAS MAL COMPORTADOS

 
PROGRESSO NO DESPACHO                    
Antes, nesta cidade desalmada,
não havia uma funerária
com um local assim,
com um lugar para velório tão bonito!
Ah! Meu bem, acredito
que, agora, seu coraçãozinho,
que andava abalado,
já pode ficar descansado;
já pode ter um fim à altura.
Ò minha bela criatura!
Até que, enfim, se partir, se descansar
já poderemos te velar
como bem merece
num lugar tão delicado
que teu velório
para sempre será lembrado!


Uma poesia de Ricardo Miguel Costa

DANZA CURVA                     

Ricardo Miguel Costa

Con un cuchillo la vastedad es inmediata.
Tomar un bocado o cometer un crimen, pueden ser
dos extremos posibles para el ánimo de quien lo empuña.
Para el que mata, el corte es una danza curva
contra el cuello.
Para el hambriento, el corte contra la carne
es la bendición de su miseria.
Pero el que hunde la palabra cuchillo en un poema
corta y troza sin bendiciones ni danzas.
El poema puede ser un tajo luminoso que separa la carne
de tu alma para flotar.
Sólo en la voracidad del hambre está la inmediatez.
La vastedad; en el temor de la víctima y en el vértigo
de quien escribe.


DANÇA CURVA

Com uma faca a vastidão é imediata.
Cortar um bocado ou cometer um crime, podem ser
dois extremos possíveis para o humor de quem a empunha.
Para matar, o corte é uma dança curva
contra o pescoço.
Para os famintos, o corte contra a carne
é a bênção de sua miséria.
Porém, a palavra faca para mergulhar num poema
corta e troça sem bênçãos nem danças.
O poema pode ser um corte luminoso que separa a carne
de tua alma para flutuar.
Só a voracidade da fome é imediata.
A vastidão;  no temor da vítima e na vertigem
de quem  escreve.


Ilustração: GoioNEWS. 

POEMAS MAL COMPORTADOS

Planejamento de parceria eterna              
Vou te dar de presente,
meu amor,
um lugar onde para sempre
você vai ficar.
Nem precisa me agradecer,
porém, te digo
que já consegui teu jazigo,
e reservei, ao lado, o meu
para permanecer sempre contigo.
Será um lugar,
onde mais tarde,
seremos felizes para sempre,
a nossa morada eterna
já pré-determinada.
E, com a beleza
de ter sido comprada
em suaves prestações
e com promoção de cinquenta por cento.
Pode providenciar seu testamento. 

Ilustração: O Caronte. 

Thursday, August 10, 2017

TEU RETRATO À LA VAN GOGH


Brinco com teus cabelos 
como se fossem grãos de areia.
Passeio por tua pele 
com a mansidão de quem anda numa teia.
E sonho com teus olhos, 
que sempre me parecem sóis,
num suave leito de delicadas 
pétalas de girassóis,
sem conseguir fechar 
o quebra-cabeça mágico
que te faz, ser assim, 
para mim, 
eternamente bela. 


Wednesday, August 09, 2017

A ESTRANHA PRESENÇA DO AMOR



A vida voa..                                                                 
A vida segue vai...
Vai...
E, alguma coisa, que fica para trás
É como se não tivesse ido.
Lutas, com o coração ferido,
Contra a sensação do tempo perdido
Enquanto me sinto angustiado
Por querer sentir o tempo ao teu lado.  
Nos vemos assim
Como dois seres queridos
Que se estranham
E já nem sabem
Recuperar a beleza do amor passado.

De repente, falamos línguas diferentes
Ou, quem sabe, um de nós,
Ou até mesmo os dois,
Perdeu completamente a lembrança
De todo amor que antes tivemos.  
E tudo aconteceu tão lentamente
Que já nem compreendo
Como nos perdemos
Estando, como estamos, sempre juntos.
E mesmo quando usamos
As mesmas palavras
Tratamos, na verdade,
De dois assuntos.


Ilustração: rádio blink 102 fm.