Friday, November 17, 2017

Uma poesia de Héctor Ranea

LEGADO                                         
Héctor Ranea

me dejaste olor a mandarinas
entre las piernas
a tabaco en las axilas
a nuez en la boca
a manzana
a semilla de manzana en las manos
me dejaste olor a un páramo de hojas muertas
entre las sábanas que quedaron en silencio

LEGADO

me deixaste o cheiro de tangerinas
entre as pernas
o tabaco nas axilas
a noz na boca
a maçã
a semente de maçã nas mãos
me deixastes um cheiro de terreno baldio de folhas mortas

entre os lençóis que ficaram em silêncio

Ilustração: Meu Reino Por Uma Cama. 

Thursday, November 16, 2017

Uma poesia de Colombia Truque Vélez

HOY                                                                          
Colombia Truque Vélez

Hoy no soy poema, ni ángel ni demonio
hoy soy el limbo que me habita
niebla indolora a donde no acude el sonido.
Hoy no soy palabra, ni grito ni susurro
sólo el lecho apacible, el luto de la sombra
tiempo inmóvil por el que no fluye la sangre,

ni cicatrices ni heridas.
Hoy, paraísos perdidos
y tú no estás —no sé a dónde fuiste.


HOJE

Hoje não sou poema, nem anjo, nem demônio
hoje sou o limbo que me habita
névoa indolor onde não acode o som.
Hoje não sou palavra, nem grito nem sussurro
Só o leito aprazível, o luto da sombra
tempo imóvel pelo qual não flui o sangue,
nem cicatrizes nem feridas.
Hoje, paraísos perdidos
e tu não estais- nem sei onde fostes.

Ilustração: pripsi – blogger.


Uma poesia de Magali Fernández Soto




Alegría

Magali Fernández Soto

He llamado a los abstemios a la risa, beber a fondo blanco
Dejar de lado las tonsuras y corbatas, por las grietas en los labios
Inevitable que una chispa encienda el fuego por las calles
Fuego real, intrínseco y vital
justo en el vientre.
Que los nacidos por venir los elegidos por el cielo,
sepan reír.

ALEGRIA

Chamei os abstêmios para rir, beber ao fundo branco
Deixar de lado as tonsuras e os laços, as rachaduras nos lábios.
Inevitável que uma faísca acenda o fogo nas ruas.
Fogo real, intrínseco e vital
justo na barriga.
Que os nascidos por vir, os escolhidos pelo céu,
sabem rir.


Ilustração: Exame. 

Uma poesia de Francisco López Merino

 
CALLE SOLITÁRIA               
Francisco López Merino

Amo el silencio humilde de esta calle,
ennoblecida de árboles serenos
por donde caminé tantos domingos
con mi pequeño huerto de recuerdos...

Cuando yo muera, amigo, habrá quedado
en esta calle lo mejor que tengo:
el rosal escondido de mis penas
y la música vaga de mis sueños...

RUA SOLITÁRIA

Amo o silêncio humilde desta rua,
enobrecida de árvores serenas,
por onde caminhei tantos domingos
com minha pequena horta de meus sonhos...

Quando eu morrer, amigo, haverá ficado
nesta rua o melhor que tenho:
o roseiral escondido de minhas penas
e a música vaga de meus sonhos....


Ilustração: EcoDesenvolvimento.org. 

E mais uma poesia de Alfredo Benialgo

Vi, de la ventana                                
 Alfredo Benialgo

Vi, de la ventana,
cuatro luces titilando.
 Volaban en la ribera de la noche.
 Orlaban el cuerno de la luna,
 la oquedad de la piedra,
 la espuma de la fronda.
Dije... son cuatro luciérnagas
escapándole al frescor de la noche.
Dije...son cuatro rubíes
replicando el fulgor de la luna.
Dije...son lágrimas de un ángel.
 Dije...
        Son...
                 las cuatro letras que forman tu nombre.


VI, DA JANELA

Vi, da janela
quatro luzes cintilando.
Voavam na margem da noite.
Contornavam as formas da lua minguante,
o oco da pedra,
a espuma da franja das árvores.
Disse...são quatro vagalumes
Escapando-lhe ao frescor da noite.
Disse...são quatro rubis
replicando o fulgor da lua.
Disse...são lágrimas de um anjo.
Disse...
         São
             as quatro letras que formam teu nome.


Ilustração: pregando a verdade – blogger. 

Wednesday, November 15, 2017

E, novamente, Cinzia Marulli

LE COPERTE DI DIO                                  
Cinzia Marulli

Strappami la pelle dall’anima
fosca luce dell’immane morte

giaccio con te
nel tuo ultimo letto
rannicchiata alle coperte di Dio

il petto s’affanna di luce
debole all’inganno perpetuo

nella molecola del sogno
mi rifugio
grondante di linfa
e aspetto, aspetto
la tua cara
ultima
carezza.

OS COBERTORES DE DEUS

Arranca-me a pele da alma
fosca luz da terrível morte

descanso contigo
no teu último leito
acorrentado nos cobertores de Deus

o peito se afoga de luz
débil ao engano perpétuo

na molécula do sonho
me refugio
pingando seiva
e espero, espero
no rosto
tua última
carícia.

Ilustração: Thaís Petroff - blogger. 

Uma poesia de Beatriz Vignoli

                                                                                            
LA CAÍDA

Beatriz Vignoli

Si te dicen que caí
es que caí.
Verticalmente.
Y con horizontales resultados.
Soy, del ángulo recto
solamente los lados.
Ignoro el arte monumental del sesgo,
esa torsión ornamental del héroe
que hace que su caer se luzca como un salto.
Ese rizo del mártir que, ascendiendo
se sale de la víctima
y su propio tormento sobrevuela
no es mi especialidad. Yo, cuando caigo,
caigo.
No hay parábola
ni aire, ni fuerza de sustentación.
Un resbalón: espero. Al suelo llego
por la ruta más breve.
Un alud, una piedra,
una viga a la que han dinamitado.
No hay astucias del cuerpo en mi descenso.
Se sobrevive: el fondo
del abismo es más blando
para quien no vuela, sólo cae.
Si te dicen que caí,
no vengas
a enseñarme aerodinámica revisionista.
No me cuentes de los que cayeron venciendo.
No vengas a decirme
que no crees que haya sido un accidente.
En lo único que creo es en el accidente.
Lo único que sabe hacer el universo
es derrumbarse sin ningún motivo,
es desmoronarse porque sí.
  
A QUEDA

Se te dizem que caí
é que caí.
Verticalmente.
E com horizontais resultados.
Sou, de ângulo reto
tão somente os lados.
Ignoro a arte monumental do viés,
essa torção ornamental do herói
que faz do seu cair que se veja como um salto.
Esse riso de mártir que, ascendendo
de vítima de seu próprio tormento sobrevoar
não é a minha especialidade. Eu, quando caio,
caio.
Não existe parábola
nem ar, nem força de sustentação.
Um empurrão: espero. Ao solo chego
pela rota mais breve.
Uma avalanche, uma pedra, uma viga
a quem hão dinamitado.
Não há astúcia do corpo em minha descida.
Se sobrevive: o fundo
do abismo é mais brando
para quem não voa, só cai.
Se te dizem que cai
não venha
me ensinar aerodinâmica revisionista.
Não me contes dos que caíram vencendo.
Não me venhas a dizer-me
que não crê que haja sido um acidente.
O único que creio é que foi um acidente.
A única coisa que sabe fazer o universo
é derrubar-se sem nenhum motivo,
é desmoronar-se porque sim.


Ilustração: Beatriz Vignoli. 

Tuesday, November 14, 2017

Uma poesia de Omar Gutiérez


Involuntario Sometimiento

Omar Gutiérrez


Uno se viene dando cuenta de tantas cosas cuando abre el rostro,
y el rostro de los otros se refleja en el de uno.
Que la cabeza tiene sombra impropia, posee condición de perro y cualidad de fuego; que le hacen falta unas buenas alas con que cave el cielo
Y huya dentro, corra, tomen nombre propio las palabras que del labio no se sueltan.
Pero la inquisición tiene dedos de más, índices por cierto todos, todos de uñas torvas
Con las que luego han de encajar o vestir a sus propios paladines de herejía (24 Quilates);
Y en mohoso adagio se sublevan con la saña del colono, en este reino.
Corsarios esquían, en patines, los átomos frescos, paridos recién:
¡Ah botín de neuronas doradas, ah insondable quid su despojo!
Allí hay cabezas cortadas de hombres,
Vestidos de ciencia insurrecta,
Abrazos pausados en yeso,
Noches. Humor. Jugos gástricos de risa.
Buhoneros de sueños y charlas. Leyendas de dioses y niñas.
Mercados de amores y sal. Conciencias chapeadas de bronce.
Joven morralla de mitos.
Su blasón ante todo, señores,
Es un fan encerrado en un rito,
Que asoma y oculta en los verbos
Que hila el cerebro en gran red.
Retruécano. Revelación. Mirada que enturbia la paz apagada.
Paces cobardes que enturbian miradas: gatos de estambre jugando con almas en bola.
Mejor nos emancipamos gritando.
Se vienen una dando cuenta, que las tardes se las saca a secar,
Que uno es la noche, la versión de algún hombre, la aversión de otros más.
Y la boca se seca en desuso.

Submissão involuntária

Um se dá conta de tantas coisas quando abre o rosto,
e o rosto dos outros se reflete em um.
Que cabeça é sombra imprópria, possui jeito de cachorro e qualidade de fogo; que lhe fazem falta umas boas asas para cavar o céu
E fugir para dentro, correr, ter nome próprio as palavras que dos lábios não se libertam.
Porém, a inquisição tem dedos demais, todos os índices por certo, todos os pregos sombrios
com o que eles devem, em seguida, encaixar ou vestir seus próprios paladinos de heresia (24 Quilates);
E em mofado adágio se rebelam com a fúria do colono, neste reino.
corsários esquiam, em patins, os átomos frescos, recém-nascidos:
Ah! Botins de neurônios dourados, ah! insondável quid seu despojo!
Ali há cabeças decepadas de homens,
vestidos  de ciência insurgente,
abraços pausados em gesso,
Noites. Humor. Sucos gástricos de risos.
Vendedores de sonhos e palestras. Legendas de deuses e meninas.
Mercados de amores e sal. Consciências chapeadas  de latão.
Mitos de lixo novos.
Seu brasão acima de tudo, senhores,
É um fã fechado em um rito,
Pairando e se escondendo em verbos
que gira o cérebro numa grande rede.
Retrucado. Revelação. Olhe que turva a luz apagada.
Passos covardes que nublam o olhar: gato brincando com almas bola fio.
Melhor que nos emanciparmos gritando.
Vão se dando conta que as tardes são levados para secar lá fora,
Que um é a noite, a versão de algum homem, a aversão de outros mais.
E a boca seca em desuso.

Ilustração: You Tube. 

Uma poesia de Mario Corsi

alta tensione

Mario Corsi

i rapporti prevedono contratti
soluzioni piuttosto removibili
nella giocosa interpretazione
degli atti divenuti coscienza
e quindi baipassati, enumerati
intimamente contenuti nella notte
se davvero al risveglio si tace
e sedurre richiede un’esplosione.

Alta tensão

Os relatórios preveem contratos
soluções bastante removíveis
em graciosa interpretação
dos atos  que tornam-se consciência
e, portanto, contornado, enumerado
intimamente contido na noite
se deveras ri do despertar
e a sedução requer uma explosão.


Ilustração: Blog da Automatizando. 

Mais uma poesia de Paul Eluard


L'EXTASE

Paul Eluard

Je suis devant ce paysage féminin
Comme un enfant devant le feu
Souriant vaguement et les larmes aux yeux
Devant ce paysage où tout remue en moi
Où des miroirs s'embuent où des miroirs s'éclairent
Reflétant deux corps nus saisons contre saisons

J'ai tant de raison de me perdre
Sur cette terre sans chemins et sous ce ciel sans horizon
Belle raison que j'ignorais hier
Et que je n'oublierai jamais
Belles clés des regards clés filles d'elles-mêmes
Devant ce paysage où la nature est mienne

Devant le feu le premier feu
Bonne raison maîtresse

Etoile identifiée
Et sur la terre et sous le ciel hors de mon coeur et dans mon coeur
Second bourgeon première feuille verte
Que la mer couvre de ses ailes
Et le soleil au bout de tout venant de nous

Je suis devant ce paysage féminin
Comme une branche dans le feu.

O ÊXTASE

Estou ante esta paisagem feminina
Como um menino diante do fogo
Sorrindo vagamente com lágrimas nos olhos
Diante desta paisagem em que tudo me emociona
Onde espelhos se enevoam onde espelhos se esclarecem
Refletindo os corpos desnudos estação a estação

Tenho tantas razões para perder-me
Nesta terra sem caminhos sob este céu sem horizontes
Belas razões que ontem ignorava
E que esquecerei jamais
Belas chaves de olhares de vislumbres sobre si mesmos
Ante esta paisagem onde a natureza é minha

Ante o fogo o primeiro fogo
Boa razão mestra

Estrela identificada
E na terra e sob o céu fora de meu coração e nele
Segundo brote a primeira folha verde
Que o mar cubra com suas asas
E o sol ao fundo de tudo que vem de nós, outros

Estou ante este paisagem feminina

Como um galho no fogo.

Ilustração: poesias/basilina – blogger. 

Monday, November 13, 2017

Outra traição sobre uma traição de Nazim Hikmet



XX

Nazim Hikmet

El más bello de los mares / es aquel que no hemos visto. / La más linda criatura / todavía no ha nacido. / Nuestros días más hermosos / aún no los hemos vivido.

Y lo mejor de todo aquello que tengo que decirte / todavía no lo he dicho.

 (Traducción de Amaro Villanueva y Julio H. Meirama)

XX

O mais belo de todos os mares
é aquele que não temos visto.
A mais linda criatura,
todavia, não há nascido.
Nosso dias mais formosos
ainda não os temos vivido.

E o melhor de tudo aquilo que tenho que dizer-te,
todavia, não lhe disse. 

Mais um poema de Julio Cortázar

Después de las fiestas

Julio Cortázar

Cuando todo el mundo se iba
 y nos quedábamos los dos
entre vasos vacíos y ceniceros sucios
qué hermoso era saber que estabas
ahí como un remanso,
sola conmigo al borde de la noche,
y que durabas, eras más que el tempo
eras la que no se iba
porque una misma almohada
y una misma tibieza
iba a llamarnos otra vez  
a despertar al nuevo día,
juntos riendo, despeinados.

DEPOIS DAS FESTAS

Quando todo mundo ia
e nós ficávamos os dois
entre copos vazios e cinzeiros sujos
que formoso era saber que estavas
ali como um remanso,
só comigo a bordo da noite
e que duravas, eras mais que o tempo
eras a que não ia
porque uma mesma almofada
e uma mesma moleza
ia a nos chamar outra vez
no despertar do novo dia,
juntos rindo, desgrenhados


Ilustração: Pinterest.