Tuesday, February 20, 2018

Outra poesia de Alfonso Reyes Ochoa

Ausencias                                                                       
Alfonso Reyes Ochoa

De los amigos que yo más quería
Y en breve trecho me han abandonado,
Se deslizan las sombras a mi lado,
Escaso alivio a mi melancolía.

Se confunden sus voces con la mía
Y me veo suspenso y desvelado
En el empeño de cruzar el vado
Que me separa de su compañía.

Cedo a la invitación embriagadora,
Y discurro que el tiempo se convierte
Y acendra un infinito cada hora.
Y desbordo los límites, de suerte
Que mi sentir la inmensidad explora
Y me familiarizo con la muerte.

Ausências

Dos amigos que eu mais queria
E em rápido tempo me hão abandonado,
Se deslizam as sombras a meu lado,
Escasso alívio à minha melancolia.

Se confundem suas vozes com a minha
E me vejo suspenso e desvelado
No empenho de cruzar o banhado
Que me separa de sua companhia.

Cedo à tentação embriagadora,
E descubro que o tempo se converte
E acende um infinito em cada hora.
E desbordo os limites, da sorte
Que meu sentir na imensidão explora
E me familiarizo com a morte.


Ilustração: EternalMagic.

Monday, February 19, 2018

Uma poesia de Elvira Lozano

Elvira Lozano                                                                        

En la farmacia cuelga una bandera
de Argentina, y la cocinera del bar
se parece a ti. Porque todas,
de alguna manera, se parecen a ti.
Por eso, porque todo es parecido,
no he podido volver a disparar
la máquina de fotos. No quiero
conservar ninguna imagen más,
ningún recuerdo que se pueda
fotografiar. Tengo ya demasiados.

Hoy, en una fría región del Cosmos
de nombre Eridanus,
detectaron un agujero gigantesco,
de más de mil millones de años luz
de tamaño. Un agujero
relleno de nada, un fallo
en los cálculos matemáticos
de la Nada.

En un pecho cualquiera,
hoy en el mío,
caben varios agujeros como ese
de Eridanus, y tampoco sabemos
de qué están hechos.

Quizás en el Cosmos existen también
los desiertos.


Na farmácia pendura uma bandeira
da Argentina, e a cozinheira no bar
parece contigo. Porque todas,
de alguma maneira, se parecem contigo.
Por isto, porque tudo é parecido,
não podia voltar a disparar
a máquina fotográfica. Não quero
conservar nenhuma imagem mais,
nenhuma lembrança que se possa
fotografar. Tenho já demasiadas.

Hoje, em uma região fria do Cosmos
de nome Eridanus,
detectaram um buraco gigantesco,
de mais de um bilhão de anos-luz
de tamanho. Um furo
repleto de nada, uma falha
nos cálculos matemáticos
do nada.

Em um peito qualquer,
Agora no meu,
cabem vários buracos como o
Eridanus, e, tampouco, sabemos
de que são feitos.

Talvez no Cosmos existam também
desertos.

Ilustração: amagiadocosmo.tumblr.com.


NÃO LEVE A SÉRIO, AMOR



Não, meu amor, não deves levar tudo a sério.
O que levamos a sério
nos amarga a vida,
nos atormenta,
nos faz ser menores.
Não, amor, não leve a sério
um carnaval que apenas
me fez voar
como os pássaros voam na sua alegria
para longe,
mas, levando comigo a ânsia de voltar,
apesar de ter ficado, por aí, a sassaricar.

Não, meu amor, não leves a sério
Qualquer que seja o nosso compromisso
não se aborreça por isso.
A vida é breve, o tempo medido.
Nem mesmo este amor desmedido,
que tenho por ti,
deve ser levado a sério.
Afinal, uma hora, isto é fatal,
nós faltaremos por injunção
do destino ou do anjo da morte-
espero que custe muito, por sorte.

E, como a vida segue,
se tiveres a súbita alegria
de ter um novo amor,
um inesperado companheiro,
aproveita bem, bem mesmo, ri e ama,
bebe, come e se espreguiça na cama,
que o que é de gosto nos arregala o peito
e isto é que, na vida, dá jeito, 
mas, também não leve a sério!

Pode ser que ele não seja,
como sou,
apenas brincalhão, pateta e doce,
e te faça mais feliz, mas, 
como ninguém é perfeito, te roube...
É só uma precaução.
E todo investimento é uma ilusão.
Também, meu amor, não leve a sério!



Uma poesia de Alfonso Reyes Ochoa


Visitación                                                           

Alfonso Reyes Ochoa

-Soy la Muerte-— me dijo. No sabía
Que tan estrechamente me cercara,
Al punto de volcarme por la cara
Su turbadora vaharada fría.

Ya no intento eludir su compañía:
Mis pasos sigue, transparente y clara
Y desde entonces no me desampara
Ni me deja de noche ni de día.

—-¡Y pensar -—confesé—-, que de mil modos
Quise disimularte con apodos,
Entre miedos y errores confundida!

"Más tienes de caricia que de pena".
Eras alivio y te llamé cadena.
Eras la muerte y te llamé la vida.

VISITA

-Sou a morte- me disse. Não sabia,
Que tão, estreitamente, me cercara
Ao ponto de espalhar-me pela cara
Sua perturbadora lufada fria.

Já nem pretendo evitar sua companhia:
Meus passos segue, transparente e clara
E, desde então, não mais me desampara
Nem me deixa seja de noite ou de dia.

-E pensar- confesso- que, de mil modos
Quis dissimular-te com apodos,
Entre medos e erros confundida!

“Mais tens de carícia que de pena”.
Eras alívio e te chamei de algema.
Eras a morte e te chamei de vida.

Ilustração: YouTubiFun.


Uma poesia de Elizabeth Smart

A BONUS                         
Elizabeth Smart

That day i finished
A small piece
For an obscure magazine
I popped it in the box

And such a starry elation
Came over me
That I got whistled at in the street
For the first time in a long time.

I was dirty and roughly dressed
And had circles under my eyes
And far far from flirtation
But so full of completion
Of a deed duly done
An act of consummation
That the freedom and force it engendered
Shone and spun
Out of my old raincoat.

It must have looked like love
Or a fabulous free holiday
To the young men sauntering
Down Berwick Street.
I still think this is most mysterious
For while I was writing it
It was gritty it felt like self-abuse
Constipation, desperately unsocial.
But done done done
Everything in the world
Flowed back
Like a huge bonus.

UM BÔNUS

Naquele dia eu terminei
Uma pequena peça
Para uma revista obscura
Eu apareci na caixa

E uma exatidão tão estrelada
Veio sobre mim
Que eu fui assobiando na rua
Pela primeira vez em muito tempo.

Eu estava sujo e grosseiramente vestido
E tinha círculos sob meus olhos
E longe longe de flertar
Mas tão cheio de
De uma ação devidamente feita
Um ato de consumação
Que a liberdade e a força engendraram
Brilhavam e giravam
Fora da minha capa de chuva velha.

Deve ter parecido amor
Ou um fabuloso feriado grátis
Para os jovens passeando
Na Baixa Down Berwick Street.
Ainda penso que isto é mais misterioso
É que, enquanto eu estava escrevendo,
Me sentia corajoso  como se me auto-abusando
Constipação, desesperadamente não social,
Porém, feita feita feita
Tudo no mundo
Flutuando de volta
Como um bônus enorme.


Ilustração: Facebook. 

Thursday, February 15, 2018

Uma poesia de Gisela Galimi


NO RECUERDO                                    

Gisela Galimi

En un bar adonde nunca fuimos
senté nuestro recuerdo
yo jamás entré allí
no bebí su humedad
no escribí su silencio
No creo que lo hayas visto siquiera
sólo me pareció un buen lugar
-marrón y sombrío-
para dejar el no recuerdo
de un no amor.
Cuando paso por allí
Trato de no pensarte.

NÃO RECORDAÇÃO

Num bar onde nunca fomos
senti a nossa lembrança
eu jamais entrei ali
não bebi sua umidade
não escrevi seu silêncio
Não creio que o haja visto sequer
só me pareceu um bom lugar
-marrom e sombrio-
para deixar nele a não recordação
de um não amor.
Quando passo por ali
trato de não pensar em ti. 

Ilustração: Área 17. 

E, de volta Meira Delmar



Meira Delmar

Toca mi corazón tu mano pura,
Lejano amor cercano todavía,
Y se me vuelve más azul el día
En la clara verdad de la hermosura.
Memoria de tu beso, la dulzura
Recobra su perdida melodía.
Y torna al cielo de la frente mía
El ángel inicial de la ventura.
El viento es otra vez un manso río
De jazmines abiertos. El estío
Entreabre su vena rumorosa.
Y el tiempo se detiene desvelado,
A orillas del recuerdo enamorado
Que enciende el corazón cuando le roza.

SONETO DO AMOR RELEMBRADO

Toca meu coração tua mão pura,
Distante amor tão perto, todavia,
E se me volta mais azul o dia
Na clara verdade de tua formosura.

Memoria de teu beijo, a doçura
Recupera a perdida melodia.
E torna o ceú o rosto ao meio dia
Do anjo inicial da maior ventura

O vento é outra vez um manso rio
De jasmineiros abertos. O estio
Entreabre sua veia tão vigorosa 

E o tempo se détem desvelado,
Nas margens da memória tão enamorado
Que acende o coração quando te roça. 

Ilustração: O amor é brega. 

E outra poesia de Antonio Gala

Antonio Gala

Si todo acabó ya, si había sonado
La queda y su reposo indiferente,
¿Qué hogueras se conjuran de repente
Para encenderme el pozo del pasado?

¿Qué es esta joven sed? ¿Qué extraviado
Furor de savia crece en la simiente?
Si enmudecí definitivamente,
¿Para quién canta un nido en mi costado?

¿Por qué cruzas, abril, mis arenales
Talándome el recuerdo y su enramada,
Aromando rosales sin renuevo?

¿Qué esperanza me colina los panales?
¿Qué me das a beber de madrugada,
Destructor de promesas, amor nuevo?

SE TUDO ACABOU JÁ

Se tudo acabou já e, se havia soado
A queda e seu repouso indiferente,
Que fogueiras se conjuram, de repente
Para iluminar o poço do passado?

O que é esta jovem sede? Que extraviado
Furor de seiva cresce na semente?
Se emudeci definitivamente
Para quem canta um ninho em meu costado?

Por que cruzas, abril, minha areias
Trazendo-me a recordação e com seus ramos,
Aromando roseiras sem renovação?

Que esperança dos favos de abelhas das colinas?
O que me dás para beber na madrugada,
Destruidor de promessas, amor novo?


Ilustração: Youtube. 

Wednesday, February 14, 2018

Uma poesia de Desi Di Nardo


Summer Sonata                 

Desi Di Nardo

The sun sizes it up
A fast grey machine
Lopes like the wolf
Stashed among trees
Insouciant as the wind
Heard but once a year
Sighing cryptic litanies
Fomenting everything
You see it like this
Pregnant with cause
You do not look again
Until the din is slick with dew
And the false movement within
Hints of its seared bronzed skin
As the mythical locust begs for
Reprise
Spurned yet again
Sunshine cedes
Fall begins

Sonata de verão  

O sol levanta
Com rapidez de uma máquina cinza
Lopes gosta do lobo
Escondido entre as árvores
Soluçante como o vento
Ouvido, porém, uma vez por ano
Suspirando litanias crípticas
Fomentando tudo
Você vê isto como
Grávida com causa
Você não olha novamente
Até que o barulho esteja liso com o orvalho
E o falso movimento dentro
palpite como bronzear sua pele
Como o gafanhoto mítico exige
Reprise
Rejeitado novamente
O sol cede
A queda começa


Ilustração: Artigos sobre filmes. 

Outra poesia de Ada Inés Lerner


La pasión en el tiempo                                       

 Ada Inés Lerner

Antiguo quedo el amor en el tiempo
la sed ajena se equivoca
es mirar de afuera la mesa puesta
carne antigua que se incendia.

En la edad perdida del amor
la pasión evocada se retoba
los ojos se nublan detrás del silencio
silencio que duele y ahora sí importa
el color rojo sangre de la pasión perdida

Y atrás el tiempo antiguo lacera
la ternura que la piel imagina
hasta que queda yerta en la cama
en pasiva actitud de inútil espera

A PAIXÃO NO TEMPO

Antigo permanece o amor no tempo
a sede alheia se equivoca
ao olhar de fora a mesa fora
a carne antiga que se incendeia.

Na idade perdida do amor
a paixão evocada rodeia
os olhos que se nublam atrás do silêncio
silêncio que dói e agora se importa
com o sangue cor vermelha da paixão perdida

E atrás do tempo antigo lacera
a ternura que a pele imagina
até que ela esteja inerte na cama

na atitude passiva de inútil espera 

Ilustração: Contos na Colina.